Médicos usam data para solicitar melhorias nas UTIs
Dois em cada três transplantes de pulmão realizados no país são feitos no Hospital Dom Vicente Scherer, da Santa Casa da Capital.
Onúmero de procedimentos, porém, poderia ser maior se o aproveitamento do órgão não fosse de apenas 15% nos casos de morte encefálica – o que ajudaria a reduzir a fila de espera, formada por 55 pacientes no Estado. A situação é lembrada hoje, quando o primeiro transplante de pulmão da América Latina, realizado em Porto Alegre, completa 20 anos.
– Em qualquer parte do mundo, o pulmão é o órgão menos aproveitado para transplante. Ele é um órgão sensível, mas também muito se perde devido à má qualificação das UTIs. O aproveitamento é de 15% no Estado, e não passa de 50% em países como Suécia, Áustria e Canadá – explica o cirurgião torácico José Camargo, que liderou a equipe que transplantou o primeiro pulmão em maio de 1989.
Na ocasião, o agricultor Vilamir Tomaz Westerich, de Vargeão (SC), então com 27 anos, recebeu o órgão de um jovem de 24 anos de Novo Hamburgo. Portador de bronquiolite, ele dependia de um tubo de oxigênio para respirar. Após o transplante, que foi bem-sucedido, viveu mais 13 anos, vindo a morrer de tuberculose em 2002.
A data do transplante pioneiro foi lembrada ontem, na Santa Casa. Equipe médica, pacientes transplantados, pessoas que estão na fila de espera por um transplante e familiares celebraram o procedimento pioneiro:
– Em 1989, quando começamos, a expectativa de um transplantado estar vivo cinco anos depois do transplante era de 40%. Hoje, é de 65%.
| Excelência gaúcha |
| > Desde 1989, foram realizados em Porto Alegre 307 dos 455 transplantes de pulmão feitos no país. Pacientes de 19 Estados fizeram a cirurgia na Capital |
| > O pioneirismo da instituição também se repetiu nos anos seguintes. Em 1993, a Santa Casa realizou o primeiro transplante duplo de pulmões da América do Sul. Já em 1999, a equipe da Santa Casa fez o primeiro transplante de pulmão com doadores vivos fora dos Estados Unidos. |
| > O êxito nos transplantes de pulmão, que durante anos foi exclusividade da Santa Casa no Brasil, permitiu que a instituição fosse considerada o único hospital sul-americano a realizar todos os tipos de transplante. Essa condição impulsionou a construção do Hospital Dom Vicente Scherer, inaugurado em 2001 como centro de transplantes |